"Temos que entender que tempo não é dinheiro. Essa é uma brutalidade que o capitalismo faz, como se o capitalismo fosse o senhor do tempo. Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da vida", disse Antônio Cândido.
Frente aos recentes debates sobre a PEC que busca extinguir a jornada de trabalho 6x1, vale a pena refletir sobre o valor do nosso tempo. A folga uma vez por semana é incapaz de compensar todo o desgaste da semana. As 24 horas livres se tornam o tempo para dar conta das outras demandas da vida, as quais, inclusive, sabemos que são inúmeras.
Quando compreendemos o tempo como esse tecido da vida, estamos equiparando ao tecido da rede de descanso na qual deitamos para ler um livro, ao da camiseta de futebol que vestimos para assistir o nosso time jogar, ao da fronha do travesseiro na qual tiramos um cochilo despretensioso após o almoço, ao tecido da toalha de mesa que testemunha conversas infinitas entre amigos e familiares.
O tempo também é o tecido do pano de fundo: uma ida ao mercado, ao médico, ao banco; daquele trânsito infernal, da reunião que podia ser um e-mail, da leitura de um post no Instagram.
"Ia ficar cinco minutos no TikTok, perdi meia hora"... É com o tempo que vivemos, seja lá o que for. O tempo é uma linguagem de amor também; o tal tempo de qualidade. As oito horas de sono, o treino de uma hora na academia, o tempo de preparar uma refeição ou de, simplesmente (por que não?), ócio.
24 horas não são o suficiente para viver. Existe vida para além do trabalho. E, frente a isso, a escala 6x1 não é congruente com a saúde mental dos trabalhadores. O fracasso do sistema capitalista faz com que acreditemos na ilusão de que o certo é trabalhar até a exaustão, mas não. O certo é lutar para que todos (todos!) nós tenhamos condições dignas de trabalho e de vida.
Se o dinheiro acaba, o tempo também. O dinheiro retorna. O tempo não.
— Tahire
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